segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Novela de uma gordinha... - 4° parte

Pessoas, peço desculpas por ter sumido, Fui pra SP semana passada - sem condições de postar...
Segue a 4° parte da novela...
Beijocas

P.s. Leitoras de SP gostaria de conhecê-las!!! Estou indo pra SP de novo no dia 21, volto pra casa dia 26. Quem puder (e quiser) conhecer essa que vos fala... mande um e-mail...


[Mari]

"Eu Tinha nascido em uma família grande, com sete irmãos. Era a caçula e a mais pararicada. Sempre. Vestidos, bonecas e principalmente especiarias eram todas direcionadas a mim. Aos 15 anos fui mandada para um colégio interno em outra cidade. Foi a primeira separação. Eu vinha de uma família grande e seria a primeira vez que eu ficava só. Foi muito doloroso... Resultado disso foram 30 kgs só no primeiro ano. Retornei para casa e minha família não via ou parecia não se importar com meu ganho de peso... Qdo eu retornei à escola não cabia mais no meu uniforme, que inclusive era a maior numeração que tinham. Nos anos seguintes, as minhas roupas eram feitas sob medida. Após 3 anos de regime de internato em um colégio só para moças eu voltei para casa. Tinha me formado com louvor sendo uma das garotas mais populares da escola... e com 60 kgs a mais... Aí começou a minha luta. Remédios, dietas mirabolantes. Com muita luta consegui me livrar de 20kgs. Essa foi a época q eu conheci o Pablo... Amor a primeira vista, apesar dele ser quase 10 anos mais velho que eu... Casamos com 7 meses de namoro. Mas a vida de Pablo era.. itinerante, para dizer o mínimo... Como funcionário de consulado, a cada ano estávamos em um país diferente. Era um choque para mim cada mudança, que eu fazia submissa. Já com 4 anos de casada tinha me tornado uma reclusa. Não havia muito motivo para sair e conhecer onde morávamos... qdo começava a aprender a língua do lugar e fazer amizades nós tínhamos que nos mudar... A geladeira e a TV eram as minhas principais companheiras... Não tinha motivo para comprar roupas... Pablo havia me dado uma máquina de costura. Eu gostava de costurar no Internato. E como eu estava cada vez maior (eu pesava 130) eu não iria encontrar roupas para o meu tamanho mesmo... Mal saia para ir em lojas de tecidos. E estava cada vez mais difícil sair... No quinto ano de casada, Pablo finalmente conseguira o que todo funcionário de um consulado desejava. Uma vaga no seu país de origem. Infelizmente não era o mesmo que o meu. Fixamos residência mas para mim ainda era difícil sair de casa. Tinha vergonha de mim, e o que os amigos de Pablo iriam dizer ao ver que ele tinha uma verdadeira elefanta em casa... Qdo completamos 6 anos, Pablo me surpreendeu com um presente. Passagens para que eu fosse visitar minha família. Não consigo esconder o quanto fiquei feliz com isso. Ele me mandou na frente. Disse que iria no mês seguinte. Ao chegar em casa vi algo que jamais pensei que teria que enfrentar. Os olhos chocados dos meus pais ao me ver. A primeira coisa que meu pai me falou foi 'o que aconteceu com vc??' nas semanas seguintes tive que enfrentar todo o tipo de piada... Desde 'Moby Dick' a 'Filha de Babar' Foi terrível pois eu tentava achar apoio e só encontrava chacota... Minha mãe foi a minha ancora. Conversávamos muito e fazíamos companhia uma a outra. Dois meses de convivência 'Familiar' havia dado resultado. Eu tinha perdido 10kgs... Foi qdo Pablo finalmente veio. Ela parecia mais sisudo que o normal. Mas o fato de me ver com menos peso surtiu seu efeito... Passamos por uma 'Segunda lua de mel'. Mas como tudo que acaba, tive que retornar para casa com Pablo. Foi um choque ter que retornar àquela vida de reclusa. Aí começaram os problemas. Eu me sentia muito mal de manhã, Calores e suava muito. As regras pararam de vir. Eu tinha apenas 27... estava muito nova para ser menopausa. Fui no médico e descobri que estava grávida... de 4 meses. Para mim foi um tremendo choque. Eu estava IMENSA. Como poderia ter engravidado? As chances eram mínimas e Pablo era um homem muito frio que mal me tocava. Mas ao sair do consultório eu me sentia estranhamente animada... A notícia da gravidez não foi bem recebida por Pablo. Ele ficara bravo e se distanciou mais. Os 3 meses seguintes ele praticamente desaparecera de casa. Mas eu mal me importava. Vibrava a cada mexida do bebê no meu ventre. Uma noite eu estava sentada na frente da TV tricotando roupinhas de Bebê, senti uma dor horrível. Depois o bebê parara de se mexer... Alarmada eu liguei para emergência. Eu mal conseguia ficar sentada. Só via estrelas. E pela reação dos médicos não parecia normal. Fui dopada e fizeram uma cesariana emergencial. A pequena Agnes havia nascido... Mas por uma série de eventos ela veio por falecer, 3 meses depois... Até hoje não consigo descrever a dor que eu senti ao saber da notícia... Meu médico dissera que eles fizeram o que puderam. Mas a minha gravidez fora de alto risco devido ao meu estilo de vida e a minha dieta. E que fora sorte o meu corpo não ter repudiado a criança nos quase 7 meses de gestação. O discurso dele foi como se a culpa de Agnes não sobreviver fosse minha. À voz dele se juntaram a de meu marido e as poucas pessoas que tinha a minha volta. Se eu vivia como eremita, o mês seguinte à morte de Agnes eu praticamente não saia da cama... Pablo que eu mal via antes, nesse momento eu não o via mesmo. Certa noite, arranjei forças para sair da cama, pois tinha ouvido sons pouco comuns. Minha surpresa foi que Pablo estava com outra mulher... Meu mundo terminara de cair... Foi nesta situação que veio os meus pais ao meu socorro.
Eles me jogaram na cara as verdades que eu não queria ver. Que eu estava me matando aos poucos. Que eu não precisava disso e que eu não tinha a completa culpa da morte da minha filha. Tinha a minha parcela por ter deixado a minha saúde debilitar tanto. Não parava de pensar como a minha vida podia ser diferente... Eles me levaram para casa e foi qdo eu comecei a emergir... Meus pais me levaram em médicos por causa da saúde debilitada e da gravidez. Esse novo médico ficou surpreso como eu ainda estava viva! Tinha problemas cardíacos, colesterol extremamente alto, taxa glicêmica no limite, hipertensão, além de sérios problemas nas articulações. A primeira coisa que ele me falou foi "Ou vc se livra dessa outra Mari ou vc morre..." Apesar de nunca ter ouvido com essas exatas palavras era uma coisa que eu já sabia... Só que DESTA vez havia me assustado. Minhas irmãs me levaram para uma horda de médicos... O diagnóstico era sempre o mesmo... Cheguei em casa pesando cerca de 136 kgs... Depois de um tratamento intensivo para baixar o colesterol e a taxa glicêmica e dois meses depois eu estava com 126. No natal do ano que eu voltei para casa eu estava bem, e infelizmente tinha voltado a engordar. Meus irmãos fizeram uma 'Brincadeira' que no dia achei cruel. Mas me fez acordar para o que eu não queria ver. Eles me deram uma caixa de madeira, grande o suficiente para eu entrar, mas coberta de espelhos. Eu fiquei horrorizada ao ver aquela 'coisa' no espelho... Nos meses seguintes tratei de me vigiar. Se eu pensava em comer um doce, eu corria para meu quarto e me mirava no espelho... Saia tão chateada que a vontade passava. Em seis meses eu havia me livrado de mais 20 kgs... Somente com alto controle e reeducação... O que era diário como doces e guloseimas passaram a ser esporádicos, o que eram esporádicos passaram a ser diários. Mas ainda me sentia inútil e mal saia de casa. Uma das minhas irmãs tinha uma loja de artesanato e sugeriu que eu ajudasse. Afinal eu era extremamente habilidosa. Meio a contra gosto eu fui. Ficava na loja no início 1 vez por semana. Conheci muita gente que hoje agradeço aos céus por tê-las colocado em meu caminho. Comecei a me livrar da "segunda Mari" ao fim do verão. Minha primeira atitude foi parar de ficar enclausurada em casa. Passei a caminhar no fim da tarde. Mas não para "emagrecer" Eu me recusava fazer atividade física, com medo que a outra "Mari" comprometesse mais as minhas articulações... Saia apenas para ver o mundo, conhecer a minha vizinhança... tanto que nessas caminhadas eu levava 2 ou 3 horas para completar 1 quarterão... No meu aniversário de 30 anos, quase 3 anos depois da morte da pequena Agnes, eu estava 55kgs mais magra! Uma vitória! Júlio, um grande amigo me deu o Faísca. Um cãozinho muito companheiro e amigo... Com esse grande amigo as minhas caminhadas se tornaram mais frequentes... E uma peça chave para eu dar adeus ao que restava da 2° Mari. Nessa época eu ficava mais dias na lojinha. Incentivada por todos a minha volta, passei a ministrar cursos de artesanato, a minha profissão e paixão. Passei a ver mais gente e viajar... Meus trabalhos ficaram famosos e comecei a viajar para divulgar em feiras e amostras... Ainda levei mais 1 ano para me livrar dos últimos 20 kgs. Mas foi numa dessas andanças que conheci Artur, meu noivo... "
- ... E hoje eu não me subjugo a ele como eu me submetia a Pablo... afinal eu quero alguém ao meu lado e não acima de mim! Mas Artur é mais alegre e jovial... me dá vontade de ver o mundo, sabe? Nós estamos noivos, decidi sair mais uma vez da minha cidade natal mas desta vez estou a 3 horas de viagem e não em outro país. Tb não me anulo. Somos duas pessoas... eu não me sinto uma extensão dele, sabe? - O rosto de Mari se iluminou... - Não devíamos fazer isso com nós mesmas, não é? Hoje sei que se eu tivesse cuidado mais de mim, da minha alimentação e do meu corpo, talvez a minha estrelinha tivesse mais chance, sabe? Mas tem um grande SE nessa história... e o que seria da vida se só fizéssemos as escolhas certas? Agora eu tenho uma nova chance... e deixei a "Mari boba" para trás... assim como vc tb pode deixar a "outra Nara" Eu quis me livrar da "Mari boba". Então eu me livrei das coisas que não me agradavam, deixando a "outra Mari". Mas só pude me livrar dela qdo eu estava pronta para deixar ela para trás... e vc? Está pronta para deixar a "outra Nara"?

Saí da casa da Mari refletindo... Realmente eu estava vivendo como 2 pessoas. Mas não tinha a menor idéia do que ela quis dizer com estar pronta para deixar a "outra Nara".

[ Fim da quarta parte]

2 comentários:

Arianna Lenci disse...

Ai amiga, num creio que depois de tantos anos de amizade... enfim vou conseguir ler esta hist'oria at'e o fim... kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Saudades de vc!
Beijos

Darlana Godoi disse...

Cadê capitulo?????